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Retro15K - Sistema de Codificação NTSC/PAL/PAL-M


Nome: Cleber Santos

Discord: Zephi#2098

Sobre: Tecnólogo em Redes de Computadores, Técnico em Informática e Eletrônica, sempre apaixonado por tecnologias eletrônicas principalmente as que envolvem games viu no site uma opertunidade de juntar pessoas que compartilham dessa paixão ou que simplesmente desejam saber mais como funciona esse universo vasto e que nos diverte a tanto tempo.

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Publicado em 28/08/2018 por Zephi

Existem diversos sistemas de codificação de cores ao redor do mundo quando falamos em codificação analógica de sinal para vídeo, elas foram amplamente utilizadas desde o inicio dos televisores a cores nos anos 50 nos Estados Unidos (anos 70 no Brasil) até a digitalização do mesmo por volta de 2010, no entanto apesar de estar em desuso, entender os principais tipos e suas características é de fundamental importância quando falamos de consoles antigos.

Afinal se você já ligou seu videogame usando os famosos conectores vermelho, branco e amarelo (Vídeo Composto) em S-Video ou em Vídeo Componente com certeza já usou algum deles mesmo sem saber, dito isso vamos dar uma olhada nos sistemas mais relevantes para proprietários de consoles antigos.

composto
RCA Amarelo - Vídeo Composto
Fonte: Wikipedia



NTSC: Padrão americano de cores adotado na América de Norte, Japão e alguns países da América do Sul, utiliza a resolução de 480i a 60 quadros por segundo e sua portadora de cor em 3,579545 MHz acima da portadora de vídeo.

PAL: Padrão europeu de cores utilizado na Europa, parte da Ásia, Oceania, utiliza a resolução de 576i a 50 quadros por segundo e sua portadora de cor em 4.43361875 MHz acima da portadora de vídeo.

PAL-M: Padrão utilizado somente em no Brasil, utiliza a resolução de 480i a 60 quadros por segundo e sua portadora de cor em 3.575611 MHz acima da portadora de vídeo.


Como pode ser visto temos um padrão chamado PAL-M que foi utilizado somente no Brasil (pois é...), é importante saber o que motivou essa mudança, além de fatores especulativos que não são nem um pouco difícil de serem formulados a história conta que a provável causa é que para se adotar o NTSC teria o problema de que o mesmo não é compatível com o sistema que era utilizado na transmissão em preto e branco na época no país, portanto ao virar as transmissoras para o padrão colorido quem tinha tv em preto e branco iria ficar sem sinal.

Para evitar isso seria interessante utilizar o padrão PAL Europeu, pois o mesmo tinha retrocompatibilidade com o sistema preto e branco utilizado aqui no Brasil, no entanto como a rede elétrica no país utiliza 60hz de frequência e o PAL usa 50hz na sua codificação (a mesma frequência da rede elétrica na maioria da Europa) o mesmo sozinho não seria suficiente para ser adotado, portanto pegaram os 60hz do NTSC junto com outras características e utilizaram o sistema de cores do PAL que era retrocompatível com o sistema preto e branco e criaram o PAL-M.

Logo ele foi amplamente adotado em todos os eletrônicos de vídeo fabricados no país, o que funcionou perfeitamente pois o único problema seria se caso algum equipamento NTSC/PAL fosse importado, chance essa remota visto que na época do regime militar havia leis protecionistas que praticamente impediam qualquer importação desse tipo.

No entanto com o fim desse embargo no final dos anos 80 tivemos uma grande quantidade de equipamentos de vídeo como videocassetes, câmeras de vídeo, videogames entre outros de origem americana e japonesa entrando no país, como é de se imaginar ao colocar esses equipamentos em sua grande maioria NTSC em nossos televisores PAL-M obtinha-se uma imagem em preto em branco, pois a portadora (sinal responsável por transmitir a cor) era transmitida em outra frequência.

Iniciou-se então uma corrida para o chamada "transcodificação", onde ao se importar qualquer equipamentos de vídeo, realizavas-se duas tarefas básicas no circuito eletrônico do mesmo, mudava-se ele para PAL caso o mesmo ainda não estivesse, e alterava-se um componente eletrônico chamado cristal ou oscilador para que o mesmo trabalhasse na frequência de 60hz do sinal NTSC.

cristal
Cristal de 16Mhz
Fonte: Mercado Livre



A grande maioria dos consoles entre a época do NES (Nintendinho) até o Playstation 1 ou vieram de fabrica (afinal os dito fabricados no Brasil são apenas montados utilizando peças importadas, logo o processo de transcodificação já era feito na própria fabrica) ou ao serem importados por via paralela já passavam por esse processo, por volta de meados dos anos 90 as TVs fabricadas no país já vinham multi-formato, ou seja aceitavam NTSC, PAL ou PAL-M, com isso a transcodificação não foi mais necessária e equipamentos importados ou mesmo os fabricados no Brasil após esse período utilizavam o padrão NTSC.

Mas qual a importância disso?, além obviamente de conhecer um pouco da história, também é interessante pois existem alguns gamers (esse que voz escreve por exemplo) que preferem desfazer essa transcodificação em consoles antigos, deixando-os novamente em sistema NTSC, existem varias razões para isso, mas duas que pessoalmente posso ressaltar:

Primeiro: O console volta a ficar original e não sei quanto aos demais, mas prefiro o console o mais original possível pois os jogos americanos e japoneses foram criados para se utilizar o NTSC, portanto não é de estranhar que existem diferenças na palhetas de cores em jogos NTSC rodando em PAL-M, razão essa que explica o porque de vários lançamentos de jogos trazidos dos EUA e Japão na Europa na época passavam por reprogramação não só por conta do idioma, mas pelo sistema de cores também (lembrando que PAL tem uma resolução maior que NTSC).

Segundo: Sistemas em PAL-M rodam desde que a TV suporte, e caso você utilize um monitor importado como um Sony PVM ou Sony BVM, ou ainda um conversor que só suporte NTSC, considerando que quase um terço do mundo usou o NTSC e o PAL-M foi somente usado no Brasil, e isso aliado ao fato que esses equipamentos que utilizam vídeo analógico estão sumindo devido ao tempo, quando maior a chance de conseguir um equipamento compatível melhor, até porque não vou precisar ligar meus consoles em uma TV que só suporte PAL-M, portanto vale a pena.

Obviamente mexer em circuitos antigos tem seus riscos e não deve ser feito por qualquer um sem o mínimo de conhecimento de eletrônica, é sempre melhor ter o console funcionando, ainda mais se ele tem valor sentimental, de qualquer maneira realizei esse procedimento conhecido da Internet como "Destranscodificação" em um Playstation 1, e em um Sega Saturn e o resultado ficou muito bom, confesse que não é algo que de tanta diferença quando se usa vídeo composto, mas o fato de ter eles prontos para serem utilizados em qualquer monitor ou tv NTSC vale a pena.

Futuramente farei tutoriais para quem quiser se arriscar por sua conta e risco, espero que tenham aproveitado esse artigo que conta um pequeno pedaço da história do mundo dos games no Brasil, obrigado e até a próxima.